quinta-feira, 9 de junho de 2016

ARTIGO - Uma possível autoversão da malcriação artística do grupo Rosa dos Ventos

Foto de Adernil de Souza
O Rosa dos Ventos é um grupo de circo e teatro que escolheu as ruas, praças e outros espaços alternativos para atuar. Nosso processo artístico de pesquisa e criação acontece concomitante ao trabalho administrativo, produção e circulação dos nossos espetáculos e está baseado em nossas experiências individuais e coletiva como grupo em 15 anos de existência. Definimos nosso trabalho artístico como popular. Se a definição desse termo não é única é por isso ainda mais adequada para definir o que fazemos.  Levamos uma linguagem que transita no humor rasgado com improviso livre de artistas cômicos que encenam tratando diretamente com o público na rua. A linguagem é identificada como própria, mas não pode ainda ser definida e sim listada com características autênticas que marcam nossos trabalhos. O grupo não desenvolveu um modelo para a criação artística e nem se baseia em referências clássicas.

Cada criação de espetáculo é vivida de acordo com as expectativas, pesquisas e influência das experiências de cada momento, presentes em cada integrante. Buscamos representatividades individuais num processo que acontece polifônico. Reconhecemos alguns avanços técnico-artísticos em nossos espetáculos e pensar em uma nova criação coloca a necessidade de tempo para aprendizagem no processo de ensaio, que por isso é lento, podendo variar de dois a cinco anos para a experimentação sair da sala de ensaio e ser apresentado para o público. Nossos espetáculos, após estreia, seguem sempre em transformação constante. A rua, o público, os amigos são referências fundamentais nesse processo, quando a criação é avaliada e os acertos mantidos, algumas coisas retiradas e outras experimentadas em outros contextos e tempo de cena.

Algo marcante em nossas apresentações, em todos os espetáculos, é o que chamamos de “esquenta” (prévia, aquecimento – nos momentos que precedem os espetáculos), um processo que surgiu no cotidiano do grupo e que é marcado pela estimulação de brincadeiras, tiração de sarro, num jogo que acontece entre nós e se expande para o público. Percebemos nessas brincadeiras uma simpatia que foi ganhando função nos espetáculos. Hoje o esquenta é uma necessidade; é o momento em que conhecemos as pessoas, suas histórias, histórias e particularidades do lugar; é o momento em que abrimos a roda atraindo a atenção dos passantes e fazendo montagem de cenário, som, troca de roupas, aquecimento corporal, maquiagem, tudo no local do espetáculo com comunicação direta com as pessoas que se aproximam.

Para explicar melhor como o esquenta funciona, podemos dividi-lo em quatro momentos: o de chegada e montagem, o de troca de roupa e aquecimento corporal, o de passagem de som e, finalmente, o momento de maquiagem. O esquenta tem níveis de intensidade que, geralmente, aumenta na medida em que o início do espetáculo se aproxima. Muitas vezes o esquenta chega a um nível tão alto de comunicação que se confunde com o início do espetáculo. O esquenta é a maneira de ganhar a atenção das pessoas, de facilitar a comunicação cômica e de provocar o público para se interessar pelo grupo e pela arte que será apresentada.
Foto de Talita Galindo
Chegamos ao local do espetáculo quase sempre três horas antes do seu início. Logo fazemos estudo das melhores condições de apresentação, definindo local para a montagem de cenário e disposição e conforto do público. Esses acertos já são motivo de muitas conversa e brincadeiras, que a partir desse instante ficam ainda mais intensas. A cada momento um integrante do grupo pode estar no foco, virar motivo de piadas, tudo pode avançar para um nível de exposição de intimidades que dão conta do cocô de um, dos atrasos de outro, da enrolação de trabalho, da idade que chega, de histórias engraças acontecidas. Nessa relação de permissividade procuramos envolver um número cada vez maior de pessoas. Muitos curiosos que chegam pra saber o que vai acontecer acabam permanecendo até o final do espetáculo, e ficam porque entram nas conversas, ri de um, ri de outro, faz e vira piada, dá liberdade para ser zoado e depois interage no espetáculo. Certa vez um amigo disse que esse ambiente que criamos para o espetáculo parece o de um bando de pedreiros conversando e brincando.
Quando trocamos de roupa e iniciamos alongamento e aquecimento de corpo e voz, as pessoas continuam se aproximando e a comunicação não para:

"- O espetáculo é uma porcaria! Mas quem não estiver fazendo nada, vale a pena!

Essas brincadeiras aguçam a curiosidade e os chamados “figuras” logo aparecem na roda com suas histórias e vontade de brincar. Muitos olham tímidos, de longe, e mesmo assim nos aproximamos para conversar. Assim se descobre o nome de um, apelido de outro, histórias do local – elementos que ajudarão na condução do espetáculo. Se uma história chama a atenção, é muito engraçada, logo pode virar história da roda toda. A rua é para nós um ouro e em nossos trabalhos procuramos amarrar tudo o que dela vem numa dramaturgia carregada de improvisos que podem ou não ter êxito, e viva o erro!

Meia hora antes do início do espetáculo é hora de passar o som e vozes. Então, palhaço Nicochina toca alguma música, ligamos nossos microfones, e assim o raio de comunicação é ampliado. Nesse momento o jogo fica mais específico, sendo que cada espetáculo tem um motivo diferente, uma ou mais piadas chaves; argumentos diferentes do espetáculo são colocados para o público tratando de personagens, cenas e técnicas que virão, numa tentativa de apreender as pessoas pela curiosidade, fazer sentir o que está por vir.
Maestro Nicochina
Quinze minutos para começar o espetáculo a maquiagem é feita. Nicochina toca mais músicas; o público já está mais próximo e conhecemos algumas pessoas pelo nome, apelido; histórias contadas pelo público podem ser jogadas em cena; piadas e elementos chaves do espetáculo são reforçados; mais farra, o espetáculo já está começando, não é para haver ruptura, ou podemos perder o público.
Às vezes o esquenta acontece num tempo muito curto, ou não acontece. Nessas situações é mais comum encontrar dificuldades para conduzir o espetáculo com o ritmo e intensidade que desejamos; e há casos em que o lugar, o público, são extremamente favoráveis ao que fazemos.

Esse esquenta, para além da sua função em cada apresentação que fazemos, tem um papel importante em nossa criação artística. É quando se brinca mais com o improviso, com a piada, apresenta-se um número novo; funciona para nós como um campo de experimentações e descobertas da rua, nosso foco.

Esse tipo de pesquisa empírica, vivencial, sempre foi característica na concepção dos nossos trabalhos. Nos primeiros anos fomos fortemente influenciados pelos circos pequenos que circulavam pela região de Presidente Prudente. Fizemos muitas visitas a esses circos para assistir espetáculos e conversar. Neles encontramos uma referência que é muito presente em nossos trabalhos, que são os palhaços verborrágicos, impudicos, tipo cômico que converge para outra referência fundamental em nosso trabalho, que são os artistas populares de roda de rua com seu humor escrachado e forma horizontal de se relacionar e brincar com o público.
Foto de Talita Galindo

Nosso primeiro espetáculo “Hoje Tem Espetáculo!” (2001) foi criado a partir dessa referência desses circos pequenos, numa proposta de levar gags e reprises de circos tradicionais para um jogo direto na roda de rua com o público.

A aproximação desses circos também aconteceu com o aprendizado de técnicas circenses (malabarismo, perna de pau, acrobacias), participando de oficinas e realizando treinamentos coletivos. Hoje essas técnicas são muito utilizadas na criação de nossos trabalhos artísticos, e estiveram muito presentes na criação do nosso segundo espetáculo “Saltimbembe Mambembancos” (2005), que também apresenta uma gag tradicional e outras criações nossas a partir do universo circense.

Em nossa criação artística realizamos muitas experimentações com o público e em diferentes contextos. Isso acontece muito em alguns trabalhos que somos solicitados, geralmente em Presidente Prudente e outras cidades da região; eventos diversos que sempre encaramos como oportunidade de experimentar, aprender, testando coisas que depois podem vir a ser parte de um novo trabalho artístico. Hoje temos uma intervenção itinerante, “Rabo de Foguete”, em que vamos andando, parando e brincando; uma intervenção artística que surgiu nessas experiências diversas, onde não éramos chamados para apresentar um espetáculo mas brincar e interagir com o público. Nossa montagem atual, do espetáculo Super Tosco, tem essa referência muito forte, acrescidos de uma musicalização com participação mais ampla de todo o grupo na sua execução cênica.

Classificamos nossa pesquisa como utilitarista, no sentido de que aponta sempre para um uso específico de técnicas na concepção de cenas e números, e não para um aprendizado global das linguagens que trabalhamos.

Hoje o processo artístico do grupo também se efetiva numa rotina de encontros de ensaio (muitas vezes irregular por conta da circulação e outros trabalhos) que incluem, variavelmente: exercícios de força; jogo de Ogrobol (jogo inventado por nós e que utilizamos como exercício); prática de técnicas circenses como malabarismo e acrobacias de solo; estudo e treino musical individual e coletivo; observação de vídeos; passagem de cenas e espetáculos; discussão de concepção de cenas; eventualmente práticas e discussões com outros grupos e artistas em colaboração com nosso processo artístico. Nesse processo a participação de cada integrante do grupo se dá de maneira diferente no desenvolvimento do conteúdo geral.
Foto de Talita Galindo
O trabalho de criação musical e sonoplastia de Robson Toma tem papel importante no processo de criação artística do Rosa dos Ventos. Sua inserção no grupo aconteceu junto com uma banda, que durante um período acompanhou as apresentações musicalizando e fazendo sonoplastia. Os espetáculos já existiam, mas assim ganharam música e recursos de sonoplastia ao vivo, num encontro de resultado surpreendente para o grupo. Mas um dia os outros músicos da banda saíram para compra cigarro e nunca mais voltaram, permanecendo apenas Robson, que deu continuidade a ideia nascida, tornando-se a partir daí o homem banda... desenvolvendo uma forma muito particular e espetacular de fazer música e sonoplastia ao vivo em nossas apresentações com uso simultâneo de bateria, guitarra, teclado e outros instrumentos acoplados. Hoje esse trabalho é uma das bases na criação do nosso espetáculo Super Tosco, que incorpora novos instrumentos (sanfona, escaleta, trompete e sax) executados pelos outros integrantes do grupo.

A montagem do nosso último espetáculo “A Farsa do Advogado Pathelin” (2009) ajudou a definir no grupo uma metodologia/rotina de ensaios que agora compreende nossa criação artística. Esse processo dá-se, geralmente, com a passagem de treinos técnicos fragmentados para a passagem geral de cenas e números, um exercício repetitivo, mas criativo.

Com a Farsa também aprimoramos nossa pesquisa estética de rua desenvolvendo uma linguagem dramatúrgica aberta a interferência direta do público e recheada de piadas e brincadeiras nossas que ajudam a contar a história. Esse foi o nosso primeiro e único trabalho com uma direção, nos outros (e no atual) a direção foi coletiva.
Foto de Talita Galindo
Uma particularidade dessa montagem é que nela encontramos um elemento provocador e novo para o grupo, que é um texto dramatúrgico. Até então a criação dos nossos trabalhos sempre foi livre com roteiros, cenas, quadros e gags tradicionais de circo e criadas por nós que podiam ser modificadas a cada instante em seu conteúdo geral. A proposta que chegou com o diretor Roberto Rosa foi a de estudar uma dramaturgia, um texto e sua encenação, isto é, contar uma história predefinida, mas a partir da nossa linguagem (livre) e personagens cômicos. Enfrentando e resistindo a vários textos, finalmente chegamos ao gênero farsa e a história do advogado Pathelin. A partir daí o processo foi longo e delicado; sentíamos-nos engessados com o texto, com a história que deveria ser contada; o texto chegou como uma provocação à nossa linguagem e forma de criação.

O processo desse espetáculo caminhou no sentido de fundir a linguagem circense do grupo ao texto, utilizando técnicas circenses e palhaçarias para contar a história. Buscamos formas de atualizar essa história, que tem mais de 500 anos, fazendo uma adaptação do texto ao contexto da rua de hoje, levando uma linguagem que nela aprendemos de comunicar diretamente com o público, abrindo a história para os improvisos e participação do público e fugindo assim da forma teatral mais tradicional. Não deixamos de lado a ideia de que o público precisa saber que ali existe espaço para ele participar, questionar e até entrar em cena, na história. A história é a rua.
Foto de Alissom Ginadaio
Hoje, seguimos dois caminhos, significativos na história do Rosa dos Ventos, o de continuar a criação livre de espetáculos cômicos, com a liberdade das rodas populares de rua, apresentando habilidades circenses, musicais, entre outras e; o caminho da dramaturgia, ao nosso modo, para contar histórias, sem abrir mão dessa comunicação própria da rua. Na linha desse primeiro caminho estamos vivendo nossa criação atual do espetáculo Super Tosco, e em seguida pretendemos fazer novamente uma montagem a partir de algum texto dramatúrgico.

A montagem do Super Toscos acontece, muito irregularmente, desde 2011, a partir de um primeiro número de acrobacia de formação coletiva e segue com a criação de outros números e a busca de um argumento que perpasse todo o espetáculo e seja pano de fundo para tudo o que é apresentando. A montagem avançou no aprimoramento técnico de alguns números e ampliação de repertório associado a criação de cenas movas pensadas a partir de trocas e orientações com colaboradores amigos em encontros eventuais. Como já dissemos, vivemos a montagem desse espetáculo muito baseado nas performances e interações artísticas que construímos praticando com o público em espaços alternativos e que compõem hoje nosso repertório para esse tipo de trabalho. O desafio que se apresenta agora é o de alinhavar tudo com soluções trabalhadas em ensaios, com elementos do universo cômico dos circos pequenos e rodas populares de rua, buscando aí uma unidade para o espetáculo.

GRUPO ROSA DOS VENTOS
Artigo escrito pelos integrantes do Grupo Rosa dos Ventos em outubro de 2014 para a Revista Rebento


Foto de Adernil de Souza

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Projeto comemora 15 anos da peça “Hoje Tem Espetáculo!!!” viajando pelo Estado de São Paulo

O Grupo Rosa dos Ventos está comemorando 15 anos da estreia do seu primeiro espetáculo. 

Foto de Samira Lemes
Hoje Tem Espetáculo!!! é arte de rua, criado a partir de números clássicos de palhaço e outros elementos da cultura circense vistos pelo público há mais de 200 anos. A montagem, que surgiu em 2001, quando o Rosa dos Ventos tinha apenas 02 anos, é fruto da influência dos pequenos circos que encontravam, por Presidente Prudente e região, e de sua busca artística através das ruas. O espetáculo já foi apresentado mais de 550 vezes!

Nos primeiros anos a circulação foi intensa aonde houvesse a possibilidade, um convite, lá estávamos nós com Hoje Tem Espetáculo!!!, fosse em eventos de pequenas cidades, acampamentos e assentamentos de trabalhadores sem terra, escolas, shoppings, ou em festas. Nessa longa caminhada, o espetáculo sofreu transformações e permitiu que um rico universo de experiências com o público fosse criado, experiências tais que, hoje, também dão cara e sentido a outros trabalhos do grupo.

Com este projeto, temos a alegria de comemorar 15 anos de Hoje Tem Espetáculo!!! e continuar a levar para a rua essa grande festa que une o circo ao teatro de rua.
Foto de Samira Lemes

O Projeto tem o apoio do ProAC da Secretaria de Estado da Cultura e será apresentado em 16 cidades do estado de São Paulo em locais públicos e de graça para a população.

Todas as notícias a respeito do projeto, assim como os relatos e fotos das apresentações serão publicados no Blog: http://hojetemespetaculo15anos.blogspot.com.br/

SOBRE O GRUPO

O Rosa dos Ventos é um grupo de artistas populares de rua! Seus integrantes são pesquisadores da
história da cultura popular, da comicidade e da diversidade cultural existente em nosso país. Fundado em 1999 por alunos da Unesp, o Rosa dos Ventos nasce de um projeto de extensão Universitária, onde teatro, folclore e circo eram cenicamente representados por palhaços. Os trabalhos do grupo buscam a fusão do teatro, da música, das técnicas circenses, do palhaço, dos tipos cômicos em uma arte popular vibrante, subversiva, questionadora e ousada.



Foto Samira Lemes
SOBRE O ESPETÁCULO
As cenas e números de circo recriadas em Hoje Tem Espetáculo!!! são adaptações livres do Rosa dos Ventos e trazem a marca de seus palhaços verborrágicos, verdadeiros nas relações, improvisadores e provocadores da participação popular, num jogo que envolve o público antes mesmo do espetáculo começar, já na montagem de cenário, trocas de roupas, aquecimento, passagem de som, maquiagem, terminando com um músico nada normal e quatro palhaços que se revezam nas funções de artistas de circo. O público é convidado a entrar no picadeiro e em diferentes momentos são os personagem principais.

Malabaristas, atiradores de facas, entradas de palhaço, cenas de pura comédia dão forma a um espetáculo de rua que explora as contradições entre o sublime e o grotesco presentes no imaginário coletivo do circo com seu universo fantasioso e mágico.



Foto Samira Lemes
FICHA TÉCNICA

Hoje Tem Espetáculo!!!
Adaptação: Rosa dos Ventos
Linguagem: Circo e Teatro de Rua
Estreia: Abril de 2001
Elenco de atores: Fernando Ávila, Gabriel Mungo, Luis Valente e Tiago Munhoz.
Música original e sonoplastia: Robson Toma
Cenário: Deva Bhakta e Grupo Rosa dos Ventos
Duração: 50 minutos
Arte Gráfica: Ricardo Bagge



PROGRAMAÇÃO:
Foto Samira Lemes

Fernandópolis SP
Dia 22 de janeiro - Às 17h
Local: Praça da Matriz, Centro

Presidente Prudente SP
Dia 04 de março - Às 20h
Local: BAIRRO AUGUSTO DE PAULA, Rua Antônia Rossi Fuzzo, próximo ao CRAS

Distrito de Teçainda - Martinópolis SP
Dia 05 de março - Às 20h
Local: Praça Luis Biazi

Presidente Venceslau SP
Dia 11 de março - Às 20h30
Local: Praça Nicolino Rondó, Centro

Presidente Epitácio SP
Dia 18 de março – Às 20h
Local: Praça da Matriz, Centro

Santo Anastácio SP
Dia 19 de março - Às 20h30
Local: Praça Ataliba Leonel, Centro
Assis SP
Dia 20 de março - Às 20h
Local: em frente ao Galpão Cultural – Travessa da Sorocabana, 40, Centro

Franco da Rocha SP
Dia 01 de abril - Às 20h
Local: Calçadão em frente a Casa de Cultura (antiga Biblioteca), Centro

Suzano SP
Dia 02 de abril – Às 20h
Local:  Em frente ao Teatro Contadores de Mentira – Rua Major Pinheiro Froes, 530, Pq. Maria Helena
Foto Samira Lemes

São Paulo SP
Dia 03 de abril - Ás 17h
Local: Praça Carlos Machado – Cidade Antônio Estevão de Carvalho, Zona Leste.

Pacaembu SP
Dia 05 de abril - Às 20h
Local: Praça Avamor Berlanga Mugnai (Jardim Municipal)

Rosana SP
Dia 08 de abril - Às 20h
Local: Praça dos Pioneiros, Centro

Teodoro Sampaio SP
Dia 10 de abril – Às 20h
Local: Praça Antônio Evangelista da Silva, Centro


Santa Fé do Sul SP
Dia 16 de abril - Às 20h
Local: Praça Sales Filho, Centro

Catanduva SP
Dia 17 de abril – Às 20h30
Local: Praça Nove de Julho, Centro

Jales SP

Dia 06 de maio – Às 19h
Local: Praça Euply Jales

Foto Samira Lemes

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Crítica do Saltimbembe em Cuiabá

Nossa participação no Festival Zé Bolo Flô  em Cuiabá MT foi rápida, mas muito significativa.


Compartilhamos abaixo a crítica escrita por Lorenzo Falcão:

ZÉ BOLO FLÔ

Teatro de Rua invade o centro de Cuiabá

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Trupe de Presidente Prudente (SP) conquistou o público
Atravessado em minha cabeça estava um pensamento. Um certo temor, digamos. Na primeira edição do 
Bolo Flô, há dois anos, o festival foi aberto com o impressionante "Das saborosas aventuras de Dom Quixote
 de La Mancha e seu Escudeiro Sancho Pança", montagem de rua do grupo Teatro que Roda (GO).
E estava este resenhista na maior torcida para que a abertura deste segundo Bolo Flô também fosse arrebatadora. E foi!!!

Teatro de rua não é moleza. Não é fácil gastar o talento fora de um espaço cênico como um teatro, lugar apropriado com propriedades e aparatos tecnológicos que ajudam um bocado, por que detalhes como luz, som e cenário catapultam espetáculos de tal maneira, que às vezes até ofuscam o trabalho dos atores.
 Na rua, não. A representação é diferente e o ato de encenar está sujeito a todas as imprevisibilidades possíveis. É o teatro em carne e osso, a mercê da voz maior, da capacidade de improviso e da
especialidade em interagir com o público.

O Circo Teatro Rosa dos Ventos surgiu em 1999, através de uma galera de estudantes universitários em Presidente Prudente, e acabou se engajando num movimento cultural que continua ribombando. Corre
trecho por aí com inúmeros compromissos e vieram parar em Cuiabá com os seguinets integrantes: Luís Valente, Fernando Ávila, Gabriel Mungo e Tiago Munhóz - quatro palhaços; e mais o multiinstrumentista Robson Toma (ou China), que faz aquela linha "banda com um músico só".

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Pernas de pau... craques nas artes circenses
Um público flutuante de umas trezentos pessoas circulou pela Praça da República durante a encenação que durou aproximadamente uma hora e vinte minutos. Nos primeiros vinte minutos, enquanto enchiam linguiça, esperando a chegada de
 um cortejo que percorreu ruas do centro cuiabano, convocando
 o público, eu já estava lacrimejando de tanto rir.

Os artistas circenses soltaram a verve enquanto improvisavam truques de telepatia espalhafatosa e se maquiavam. Já demonstravam um pleno domínio no quesito "saber o que se 
quer e como fazê-lo", conquistando de imediato a plateia. À frente de uma pequena tenda mambembe que mal parecia cabê-los, multiplicavam-se em estripulias, piadas e trejeitos que
acompanham a eterna dinastia clown, surgida no
século XVI, para nunca mais sair de cena.

Começado pra valer o espetáculo, a postura conquistadora do palhaço ganhou corpo e força, entremeada com técnicas como
 a perna de pau e os malabares. Muita destreza nas manobras e uma infalível presença cênica - e de espírito, arrebataram o
 público composto por pessoas de todas as idades e classes sociais. Este, o público, volta e meia, era convocado a participar
 das encenações. Uma interação completa. Show de espetáculo.




"O que escrever sobre isso?", sondou-me o bravo Carlinhos Ferreira, também convocado para resenhar
 os espetáculos. Em dois minutos de conversa concordamos que o alto nível do desempenho nas artes circenses estava estabelecido, apesar de "não termos visto nada de novo". O que, absolutamente, não
 deve ser entendido como um comentário depreciativo. Noutras palavras, a trupe Rosa dos Ventos, fez,
 com louvor, o seu dever de casa.

Entreteu com garbo uma plateia multifacetada, abrindo honrosamente a segunda edição do Zé Bolo Flô.
 Devo chamar a atenção dos internautas sobre essa proposta "deselitizadora" que abrange um evento de teatro de rua. Desde que me entendo por gente, gente que aprendeu a raciocinar e entender em torno da história da arte, ela - a arte - sempre esteve associada com as elites, que sempre tiveram muuuiiittooo mais acesso às artes, do que as pessoas menos abastadas. Daí, que quando você leva a arte para as ruas,
 está quebrando e estraçalhando paradigmas. Paradigmas são coisas que existem para ser mesmo quebrados.

Outras "cositas"

Conforme já sugeri, a luz poderia ter sido mais valorizadora do espetáculo. Mais estudada, mais pensada, enfim, enriquecedora da encenação. Não o foi. E esse problema, que inclusive, suscitou piadas dos artistas,
 foi agravado por aquela luz de vários cinegrafistas que fizeram a cobertura do evento. Por outro lado, a presença das emissoras de televisão - acho que pelo menos três delas por ali estiveram, é sempre muito
 bem vinda, por que o Bolo Flô é um festival que merece todo o carinho e a atenção dos meios de comunicação.

É preciso aqui o reconhecimento do esforço que a Band MT vem demonstrando nas coberturas de eventos culturais. Não é a primeira vez que flagro uma equipe da emissora acompanhando do começo ao fim uma iniciativa artística. Merece pois, a emissora e seus profissionais, o nosso elogio.

O som... eita trabalheira lascada que é montar e conduzir as tecnologias sonoras, ainda mais em ambientes externos. Na parte final do espetáculo, alguns microfones dos atores "ratearam", mas não chegaram a comprometer o resultado final.

E a marcação cerrada deste Tyrannus prossegue até domingo, chegando junto a todos os espetáculos que serão apresentados. Seguindo sempre aquela linha que costumo pontuar aqui: a gente trabalha, mas se diverte.

Nervoso. É o Tyrannus neste último mês do ano, até na tampa de afazeres, e ainda assumindo pelo
menos mais um... extra. O convite irrecusável do Tibanaré, grupo teatral de MT que organiza o 2º Festival
 Zé Bolo Flô de Teatro de Rua, para eu assistir todos os espetáculos e escrever sobre eles, começou a
 vigorar neste primeiro de dezembro, quando a trupe Rosa dos Ventos, de Presidente Prudente (SP),
 encenou "Saltimbembe Mambembancos". Claro que fui lá...
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Rosa dos Ventos (SP) fez, com louvor, o seu dever de casa
Fonte: http://www.tyrannusmelancholicus.com.br/conteudo.php?sid=311&cid=6704

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Rosa dos Ventos Rio Grande do Sul Tchê!

Foto André Daffara
Vamos cortar o país rumo as terras do Rio Grande do Sul para levar nosso trabalho para dois grandes festivais, o Porto Alegre Em Cena e o FESTIA, o primeiro na própria capital e o segundo no município de Canoas. Estamos levando dois espetáculos e uma oficina de técnicas circenses para compartilhar com o povo gaúcho.
Já estivemos em Porto Alegre participando do Festival Palco Giratório do SESC RS em 2013 e retornamos agora à capital gaúcha no renomado Porto Alegre Em Cena.

Foto André Daffara
O POA Em Cena , começou no dia 03 e segue até 21 de setembro. Este é sem dúvida um dos grandes festivais da América Latina com atrações nacionais e internacionais. Conforme anúncio do diretor geral Luciano Alabarse, o orçamento para esta edição é de R$ 3 milhões e o Festival volta a investir em nomes conhecidos do grande 
público. Ao todo, são 51 espetáculos na grade do Porto Alegre em Cena deste ano: sete internacionais, 28 nacionais e 16 deles gaúchos.

Estamos na programação com a peça “Hoje Tem Espetáculo!!!” ao lado de Grupos do Uruguai, Bélgica, Argentina e Estados Unidos, além dos nacionais que vem do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernanbuco e Paraná.

Mais detalhes sobre o Festival no site:

Já em Canoas, município ao lado de Porto Alegre, estamos na programação do 5º FESTIA – Persistência e Pé na Tábua, é um Festival lindo organizado pelos amigos artistas gaúchos do TIA Teatro, o Festival acontece de 10 até 20 de setembro com programação 
Foto André Daffara
diária nos quatro quadrantes da cidade de Canoas, incluindo o centro e a periferia, com apresentações e atividades formativas totalmente gratuitas à população. O ator, cantor, instrumentista e ativista cultural Zé da Terreira, será o homenageado do festival esse ano.
Serão 23 atrações de 17 grupos diferentes durante 10 dias, entre atrações internacionais, nacionais e grupos locais, passarão pelos “palcos” das ruas, praças e auditórios da cidade: nós Rosa dos Ventos, de Presidente Prudente/SP; César Troncoso, do Uruguai; Colectivo de Teatro Callejero Xutil, do México; Ágora Teatro, de São Paulo/SP; Cafuringa, de Recife/PE; Cenopoesia, de CE/RS/PE/RS; Trupe Circuluz, de São Luiz/MA; Bando La Trupe & Cervantes do Brasil, de Natal/RN; Pharkas Serthanejaz, de Recife/PE; Ray Lima, de Maranguape/CE; e os grupos canoenses Coletivo de Músicos de Rua, Trupe das Gracinhas, Galegos & Frangalhos e EntreVerbo.

Estamos na programação do FESTIA com uma oficina e dois espetáculos Saltimbembe Mambembancos e “Hoje Tem Espetáculo!!!”

Todos os detalhes do FESTIA no site:

Com isso nossa agenda no Rio Grande do Sul está intensa:

Dia 16 de setembro – Às 19H
Oficina O Circo Chegou
Local: Casa das Artes Vila Mimosa - FESTIA – Canoas RS

18 de setembro – Às 19H
 “Hoje Tem Espetáculo!!!”
Local: EMEF Afonso Guerreiro Lima – Porto Alegre Em Cena
- Porto Alegre RS

Dia 19 de setembro – Às 16h
“Hoje Tem Espetáculo!!!
Local: Praça da Juventude - FESTIA – Canoas RS

Dia 20 de setembro Às 17h
Saltimbembe Mambembancos
Local: Parque Eduardo Gomes – FESTIA – Canoas RS

Foto André Daffara

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Crítica Escrita por Kil Abreu no 30º FESTIVALE

“Hoje em espetáculo!” / Grupo Rosa dos ventos – Presidente Prudente, SP...

A tradição e o espírito livre do circo, por Kil Abreu

“Hoje tem espetáculo!”, que o grupo Rosa dos Ventos, de Presidente Prudente, apresentou no Festivale faz acontecer o diálogo entre o circo tradicional (“números, entradas e piadas vistos há pelo 
Foto de André Daffara
menos duzentos anos”) e a sua experimentação no calor da hora dos tempos atuais. Sem propriamente inventar novas formas para a cena cômica, a trupe se dedica a fazer valer um repertório colhido nas convenções da arte do palhaço - o que não é pouco do ponto de vista da tarefa artística que se coloca. Pois que aqui se trata de uma linguagem cujos códigos têm vida longa e se mostram mais ou menos efetivos não necessariamente em função da novidade formal, mas do espírito vivo do clown que anima o ato, ainda que ele seja a repetição de ações que vêm “das antigas”.

O que talvez caracterize especialmente os artistas prudentinos é a reunião deliberadamente tumultuada de todos eles em cena. A ponto de nos primeiros dez minutos de espetáculo nos perguntarmos se as intervenções se baseavam em um tumulto proposital ou se explicitavam apenas o trabalho de uma direção pouco atenta. A amplificação desmedida do som no ginásio do Sesc, mais o fato de temos uma trupe da palhaços “faladores”, ajudou a afirmar esta impressão de uma palhaçaria talvez por demais estridente. No entanto, no decorrer da encenação vamos notando que acidentalmente ou não a indisciplina no andamento e até mesmo a falta de respiro do espetáculo talvez desenhem uma marca do grupo, que mesmo sob estas condições consegue manter a plateia fiel à sequência de números e entradas.

O repertório, como se disse, vem do circo tradicional, matizado com o sabor da linguagem de agora em trocadilhos de dupla conotação, improvisos em torno de fatos e situações ligadas ao comportamento da plateia ou da vida coletiva e etc. Se de um lado temos uma “reprise” clássica como a que satiriza o número do atirador de facas (uma das melhores sequências) , por outro temos uma série de entradas que ganham nova dinâmica quando amparadas em habilidades como os jogos com malabares, que o grupo domina bem. Na área das atuações é possível se divertir com as diferentes máscaras, cada clown agarrando a sua própria – do “organizador” que tende ao autoritário patético ao esperto que se faz tomar por ingênuo, ou ao ingênuo de fato. Todos os tipos, sem exceção, bem desenhados e fazendo valer os contrastes que motivam parte importante dos efeitos cômicos.

Foto de André Daffara

Para arrematar a boa performance dos palhaços prudentinos há ainda a fundamental marcação de uma sonoplastia atenta, que a um tempo ajuda a dar gás à bagunça e a outro a organiza, regendo o ritmo das sequências para que o espírito do improviso livre não acabe por render a cena a um caos de bom efeito, mas indiferenciado. Artistas populares com excelente domínio do tablado, estes do Rosa dos ventos (Fernando Ávila, Gabriel Mungo, Tiago Munhoz, Luis Valente, Robson Toma) souberam fazer do espetáculo um momento em que a tradição do circo não vale “por si”. É a base que favorece um algo fresco e vivo, que começa no jogo alegre do grupo e sem dúvida contagia a plateia.

KIL ABREU é jornalista, crítico e curador de teatro do Centro Cultural São Paulo

Fonte: https://www.facebook.com/fccrsjc/photos/a.359013527505115.80113.146170118789458/900698900003239/?type=1

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Rosa dos Ventos no 30º FESTIVALE e em Narandiba SP

Saltimbembe Taraba - Foto Ana Paula Carneiro
Bora pra estrada! Neste final de semana e feriado estaremos em Narandiba e São José dos Campos comemorando a semana da Arte! Ops.. Semana da Pátra.
Dias 04 e 05 estaremos em Narandiba e dias 06 e 07 em São José dos Campos. As primeiras apresentações são do Espetáculo saltimbembe Mambembancos e as últimas do “Hoje Tem Espetáculo!!!”.

Em Narandiba estamos chegando com o Projeto Circulação Saltimbembe Mambembancos que conta com o apoio do ProAC da Secretaria de Estado da Cultura e patrocinado pela Cocal Energia Responsável. Temos agendado para a cidade duas apresentações do Espetáculo e uma oficina de circo, todas as atividades são gratuitas para público. É a primeira vez que vamos nos apresentar em Narandiba nesses 16 anos de estrada. Estamos ansiosos, o projeto tem nos dado um retorno fantástico, as apresentações tem tido um público de mais de 500 pessoas por cidade.

Saltimbembe em Tarabai SP - Foto de Ana Paula Carneiro

A última apresentação aconteceu em Tarabai e mais de 600 pessoas estiveram na Praça da Matriz para nos prestigiar, é um retorno importante para nós e para o pensamento de que a arte deve estar ao alcance das pessoas sempre. Temos encontrado um público sedento, receptivo, pessoas de todas as idades saindo de suas casas para assistir arte de rua e no final com frequência ouvimos a pergunta: “Quando vocês vão voltar?” Não temos dúvida do imenso valor que tem um projeto de circulação de espetáculos para as cidades da nossa região.

Temos relatado detalhes e publicado fotos de cada apresentação no Blog do Projeto: http://circulacaosaltimbembe.blogspot.com.br/

Já nos dias 06 e no feriado 07 de setembro vamos para São José dos Campos com a peça “Hoje Tem Espetáculo!!!” participar do 30º FESTIVALE – Festival de Teatro do Vale do Paraíba. Essa será a terceira vez que participamos desse grande Festival, já nos apresentamos com Pathelin e Saltimbembe nas duas últimas edições.


HTE em Ribeirão - Foto de Talita Galindo
O FESTIVALE é um importante festival do Brasil e também um dos mais antigos. A programação que começa hoje, quarta-feira (2/9) acontecerá durante doze dias, com mais de 50 espetáculos gratuitos, fóruns de discussão, oficinas e palestras. O tema desta 30ª Edição é “O Teatro e a Cidade”. Os espetáculos que fazem parte da programação são de companhias de 17 cidades, além de peças de companhias de São José dos Campos. Segundo os organizadores o evento tem como objetivo pensar e refletir o teatro na atualidade, suas formas de produção e organização, além das relações que estabelece com a cidade e sua evolução nas últimas três décadas.

Mais informações e a programação completa pode ser vista no site da Fundação Cultura Cassiano Ricardo:

Nossa agenda para esse final de semana:

Dia 04 de setembro - Às 16h
Espetáculo Saltimbembe Mambembancos
Local: Praça da Matriz - Narandiba SP

05 de setembro – Às 14h30
Oficina Técnicas Circenses
Local: Quadra da escola Takako Suzuki - Narandiba SP

Dia 05 de setembro – Às 20h30
Espetáculo Saltimbembe Mambembancos
Local: Praça da Matriz - Narandiba SP

30º Festivale (Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba)

Dia: 06 de setembro – Às 16h30
“Hoje Tem Espetáculo!!!”
Local: SESC – São José dos Campos

Dia: 07 de setembro – Às 16h
“Hoje Tem Espetáculo!!!”
Local: Praça Cônego Manzi – São Francisco Xavier - São José dos Campos SP

terça-feira, 1 de setembro de 2015